A Formação em Neuropediatria no Internato de Neurologia: perceção e experiência dos internos em Portugal

Autores

  • Mafalda Delgado Soares Serviço de Neurologia, Hospital de São José, Unidade Local de Saúde de São José, Centro Clínico Académico de Lisboa (CCAL), Lisboa, Portugal https://orcid.org/0000-0002-7508-0645
  • Diana Valente Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde do Algarve, Faro, Portugal
  • Catarina Fernandes Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de Coimbra, Coimbra, Portugal
  • Miguel Serôdio Unidade Cerebrovascular, Unidade Local de Saúde de São José, Lisboa, Portugal
  • Ana Lúcia Oliveira Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo, Vila Franca de Xira, Portugal
  • Andressa Pereira Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de São João, Porto, Portugal
  • José Miguel Alves Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de Coimbra, Coimbra, Portugal
  • Alexandre Roldão Alferes Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de Coimbra, Coimbra, Portugal
  • Catarina Serrão Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de Santa Maria, Lisboa, Portugal
  • Inês Pinto Serviço de Neurologia, Hospital Egas Moniz, Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • Joana Barbosa Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde da Arrábida, Setúbal, Portugal
  • Joana Cancela Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de Coimbra, Coimbra, Portugal
  • Luís Costa Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde do Alto Minho, Viana do Castelo, Portugal
  • Maria Roque Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de Santa Maria, Lisboa, Portugal
  • Miguel Carvalho Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de Santa Maria, Lisboa, Portugal
  • Rita Cagigal Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de Gaia e Espinho, Vila Nova de Gaia, Portugal
  • Rita Rato Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de São João, Porto, Portugal
  • Sofia Marinho Pinto Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde da Arrábida, Setúbal, Portugal
  • Teresa Santana Serviço de Neurologia, Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal, Almada, Portugal
  • Filipe Palavra Centro de Desenvolvimento da Criança – Neuropediatria, Hospital Pediátrico, Unidade Local de Saúde de Coimbra, Coimbra, Portugal; Laboratório de Farmacologia e Terapêutica Experimental, Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR), Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal https://orcid.org/0000-0002-2165-130X
  • Mónica Vasconcelos Serviço de Pediatria, Unidade de Neuropediatria, Hospital Dr. Nélio Mendonça, Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM), Funchal, Portugal
  • Rita Lopes Silva Unidade de Neurologia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde de São José, Lisboa, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.46531/sinapse/AO/206/2026

Palavras-chave:

Educação Baseada em Competências, Educação Médica, Inquéritos e Questionários, Internato e Residência, Neurologia/educação, Pediatria/educação

Resumo

Introdução: A formação em Neuropediatria é obrigatória no internato de Neurologia, mas permanecem escassos os dados nacionais sobre a sua qualidade. Identificando essa lacuna, a Comissão de Internos e Recém-Especialistas de Neurologia (CIREN) da Sociedade Portuguesa de Neurologia, em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Neuropediatria, promoveu o presente estudo.

Métodos: Realizou-se um questionário online de 33 itens, anónimo, dirigido a internos de Neurologia em Portugal, avaliando a perceção relativamente à confiança na abordagem de doentes pediátricos com patologia neurológica, ao conhecimento adquirido e à qualidade da formação em diferentes contextos institucionais. O questionário foi divulgado pelos canais oficiais da CIREN e esteve disponível entre dezembro de 2024 e junho de 2025. Procedeu-se à análise descritiva das respostas e à comparação entre grupos.

Resultados: Responderam ao inquérito 56 internos, com idade média de 29,6 (±2,6) anos, maioritariamente mulheres (54,5%, n=30) e em fase avançada do internato (≥3.º ano; 85,5%). Verificou-se distribuição geográfica equilibrada, excetuando as regiões autónomas. Em 41,1% dos casos, não existia unidade de Neuropediatria no hospital de formação. Dos 28 internos que realizaram o estágio, todos o realizaram num hospital central, com média de 5,3 (±2,4) neuropediatras por instituição. A aquisição de competências foi percecionada como tendo sido superior na consulta externa e internamento, comparativamente à urgência. No entanto, a existência de urgência associou-se a maior aquisição de competências (p<0,001). Após o estágio, apenas 14,3% dos internos se sentiram preparados para interpretar exames laboratoriais específicos e 21,4% para lidar com doenças neurometabólicas. A maioria concordou com a duração (75,0%) e com a obrigatoriedade do estágio no internato de Neurologia (82,1%) e 17,8% demonstraram interesse em subespecialização.

Conclusões: Os resultados reforçam a pertinência do estágio e evidenciam a necessidade de uniformizar e reforçar a formação em Neuropediatria no internato, sobretudo perante a heterogeneidade da experiência em contexto de urgência.

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Referências

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Publicado

2026-04-02

Como Citar

1.
Delgado Soares M, Valente D, Fernandes C, Serôdio M, Oliveira AL, Pereira A, et al. A Formação em Neuropediatria no Internato de Neurologia: perceção e experiência dos internos em Portugal. Sinapse [Internet]. 2 de abril de 2026 [citado 3 de abril de 2026];26(1):31-9. Disponível em: https://sinapse.pt/index.php/journal/article/view/206

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