A Formação em Neuropediatria no Internato de Neurologia: perceção e experiência dos internos em Portugal
DOI:
https://doi.org/10.46531/sinapse/AO/206/2026Palavras-chave:
Educação Baseada em Competências, Educação Médica, Inquéritos e Questionários, Internato e Residência, Neurologia/educação, Pediatria/educaçãoResumo
Introdução: A formação em Neuropediatria é obrigatória no internato de Neurologia, mas permanecem escassos os dados nacionais sobre a sua qualidade. Identificando essa lacuna, a Comissão de Internos e Recém-Especialistas de Neurologia (CIREN) da Sociedade Portuguesa de Neurologia, em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Neuropediatria, promoveu o presente estudo.
Métodos: Realizou-se um questionário online de 33 itens, anónimo, dirigido a internos de Neurologia em Portugal, avaliando a perceção relativamente à confiança na abordagem de doentes pediátricos com patologia neurológica, ao conhecimento adquirido e à qualidade da formação em diferentes contextos institucionais. O questionário foi divulgado pelos canais oficiais da CIREN e esteve disponível entre dezembro de 2024 e junho de 2025. Procedeu-se à análise descritiva das respostas e à comparação entre grupos.
Resultados: Responderam ao inquérito 56 internos, com idade média de 29,6 (±2,6) anos, maioritariamente mulheres (54,5%, n=30) e em fase avançada do internato (≥3.º ano; 85,5%). Verificou-se distribuição geográfica equilibrada, excetuando as regiões autónomas. Em 41,1% dos casos, não existia unidade de Neuropediatria no hospital de formação. Dos 28 internos que realizaram o estágio, todos o realizaram num hospital central, com média de 5,3 (±2,4) neuropediatras por instituição. A aquisição de competências foi percecionada como tendo sido superior na consulta externa e internamento, comparativamente à urgência. No entanto, a existência de urgência associou-se a maior aquisição de competências (p<0,001). Após o estágio, apenas 14,3% dos internos se sentiram preparados para interpretar exames laboratoriais específicos e 21,4% para lidar com doenças neurometabólicas. A maioria concordou com a duração (75,0%) e com a obrigatoriedade do estágio no internato de Neurologia (82,1%) e 17,8% demonstraram interesse em subespecialização.
Conclusões: Os resultados reforçam a pertinência do estágio e evidenciam a necessidade de uniformizar e reforçar a formação em Neuropediatria no internato, sobretudo perante a heterogeneidade da experiência em contexto de urgência.
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Referências
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