Preditores de Resposta aos Anticorpos Monoclonais Anti-CGRP: Um Estudo Retrospetivo

Autores

  • Vítor Mendes Ferreira Neurology Department, Hospital de Egas Moniz, ULS de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • Miguel Serôdio Neurology Department, Hospital de Egas Moniz, ULS de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal
  • André Caetano Neurology Department, Hospital de Egas Moniz, ULS de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal; NOVA Medical School, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal
  • Miguel Viana-Baptista Neurology Department, Hospital de Egas Moniz, ULS de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal; NOVA Medical School, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal
  • Gonçalo Cabral Neurology Department, Hospital de Egas Moniz, ULS de Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.46531/sinapse/AO/214/2026

Palavras-chave:

Antagonistas do Receptor do Peptídeo Relacionado ao Gene de Calcitonina/uso terapêutico, Peptídeo Relacionado com Gene de Calcitonina, Perturbações de Enxaqueca/ prevenção e control, Perturbações de Enxaqueca/ tratamento farmacológico

Resumo

Introdução: Os anticorpos monoclonais anti-calcitonin gene-related peptide (CGRP) são terapêuticas eficazes e bem toleradas na prevenção da enxaqueca. No entanto, cerca de 30%–40% dos doentes não respondem ao tratamento. Embora existam associações entre múltiplas variáveis clínicas e os resultados destas terapêuticas, a evidência disponível é limitada.

Métodos: Foi realizado um estudo retrospetivo com doentes com enxaqueca episódica ou crónica, seguidos num centro terciário, que iniciaram terapêutica anti-CGRP entre abril de 2021 e abril de 2024. Os doentes foram tratados com erenumab 70 mg ou fremanezumab 225 mg. Foram recolhidas variáveis demográficas e clínicas. A resposta ao tratamento foi definida como uma redução ≥50% do número de dias de cefaleia por mês aos 3 meses e os doentes foram classificados como respondedores ou não respondedores. A análise estatística foi realizada utilizando o teste do qui-quadrado para variáveis categóricas e os testes t de Student e de Mann–Whitney para variáveis contínuas, de acordo com a distribuição dos dados.

Resultados: Foram incluídos 68 doentes (80,9% do sexo feminino; idade média 43,5 ± 11,5 anos). Cerca de 48,5% dos casos apresentavam enxaqueca crónica. Não se observaram diferenças significativas entre respondedores e não respondedores relativamente às variáveis idade, sexo, tipo de enxaqueca, frequência basal de cefaleias, presença de aura, dor unilateral, comorbilidades psiquiátricas, abuso medicamentoso, falência prévia de preventivos ou tipo de anticorpo anti-CGRP. Os respondedores apresentaram mais frequentemente náuseas e/ou vómitos (76,6% vs 52,4%; p=0,008), enquanto os não respondedores apresentaram uma maior prevalência de fatores de risco vascular (33,3% vs 12,8%; p=0,046).

Conclusão: Na nossa amostra, as náuseas/vómitos estiveram associadas a uma resposta favorável à terapêutica anti-CGRP, semelhante ao já descrito na literatura, enquanto os fatores de risco vascular associaram-se a uma não-resposta ao tratamento. Estes resultados sugerem uma potencial interação entre os fatores de risco vascular e os mecanismos mediados pelo CGRP.

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Referências

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Publicado

2026-04-02

Como Citar

1.
Mendes Ferreira V, Serôdio M, Caetano A, Viana-Baptista M, Cabral G. Preditores de Resposta aos Anticorpos Monoclonais Anti-CGRP: Um Estudo Retrospetivo. Sinapse [Internet]. 2 de abril de 2026 [citado 3 de abril de 2026];26(1):40-4. Disponível em: https://sinapse.pt/index.php/journal/article/view/214

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