Barreira Oculta: O Impacto da Recolha de Medicação em Farmácia Hospitalar nos Doentes com Esclerose Múltipla e Enxaqueca
DOI:
https://doi.org/10.46531/sinapse/AO/130/2026Palavras-chave:
Custo da Doença, Esclerose Múltipla/tratamento farmacológico, Perturbações de Enxaqueca/ tratamento farmacológico, Serviço de Farmácia Hospitalar, Serviços Comunitários de FarmáciaResumo
Introdução: Além da posologia, monitorização e efeitos adversos, as dificuldades no acesso à terapêutica fazem parte do impacto associado à medicação. A recolha da terapêutica da esclerose múltipla (EM) e da enxaqueca em Farmácia Hospitalar (FH) promove a adesão, mas a distância ao domicílio e morosidade do processo poderão influenciar negativamente a vida dos doentes. O nosso objetivo foi avaliar o impacto do levantamento de terapêutica para EM/enxaqueca na FH.
Métodos: Estudo unicêntrico, observacional, transversal, baseado no preenchimento de questionário online, anónimo, incluindo dados da recolha da terapêutica, escalas de satisfação com o tratamento [percepção global de mudança (PGIC)] e de incapacidade (MSIS-29, EM; MIDAS, enxaqueca). Foram incluídos adultos com EM/enxaqueca sob terapêutica de recolha em FH, há mais de 3 meses. Estatística descritiva realizada com SPSS®.
Resultados: Em 145 participantes (EM = 108; enxaqueca = 37), 64,8% eram mulheres, com idade mediana de 48. Pontuações médias nas escalas: PGIC 5/7; MSIS-29 42,0%; MIDAS: 21/90. Em 85,5%, os doentes recolhem a sua medicação; contudo, 34,5% dos responsáveis pela recolha faltam frequentemente/muito frequentemente ao emprego para tal. Em média, demoram 1,1 h (σ = 1,0) até chegarem ao hospital (distância média 16,1 km, σ = 13,4) e 1,1 h na FH (σ = 0,6). Estima-se um tempo gasto anualmente (TGA) com o levantamento da medicação de 13,5 horas/ano (σ = 12,4). O tempo de espera na FH foi preditor do nível de satisfação com o método de recolha, que, em mediana, foi de 3 (1 = nada de acordo, 5 = totalmente de acordo), correlacionando-se negativamente com o TGA (p < 0,001, R² = 0,7 e 0,9). A maioria dos participantes (73,1%) preferia recolher a medicação numa farmácia comunitária.
Conclusão: Para os doentes com EM e enxaqueca, uma otimização do processo de dispensa hospitalar ou na comunidade da sua medicação poderá traduzir-se numa melhoria significativa na sua qualidade de vida.
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